O Brasil é um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo, e é estimado que continue em crescimento nos próximos anos. Para atender este aumento, a demanda por importação de medicamentos tem crescido.
Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 90% dos insumos utilizados na fabricação de medicamentos no Brasil são importados. Como resultado, o grupo de produtos farmacêuticos é o sexto item mais importado no país.
Neste artigo, trazemos um panorama sobre o mercado farmacêutico brasileiro e as importações nesse setor, além dos cuidados específicos na logística desses produtos e as regulamentações envolvidas.
O mercado farmacêutico brasileiro
A indústria farmacêutica brasileira movimentou mais de 190 bilhões de reais em 2023, posicionando o Brasil como o quinto maior mercado farmacêutico do mundo.
O setor deve crescer cerca de 9,7% em 2024 e manter uma taxa média de crescimento anual de 7% até 2027, conforme projeções da IQVIA, empresa especializada em análises de saúde. Esse crescimento está relacionado à adoção de novas tecnologias, o comércio online, o lançamento de novos produtos e o envelhecimento da população.
Segundo o ranking IBEVAR-FIA, a compra de produtos farmacêuticos representa 6,5% do consumo de bens pelas famílias brasileiras, superando até mesmo setores como combustíveis, móveis e eletrodomésticos.
Apesar de possuir um mercado farmacêutico sólido no quesito de consumidores, o Brasil depende fortemente da importação de medicamentos prontos e insumos para atender essa demanda.
Dados sobre a importação de medicamentos
No acumulado de janeiro a agosto deste ano, foram importadas US$5,4 bilhões em medicamentos e produtos farmacêuticos, valor que corresponde a 48,5 mil toneladas, com um preço FOB médio de US$110,73 por quilo, conforme dados do ComexStat/MDIC.
Isso significa que, comparado com o mesmo período de 2023, houve um aumento de 2,4% em valores e 14,1% em volume. Assim, esses produtos ocupam o 6º lugar no ranking total das importações brasileiras.
Quais as principais origens dos medicamentos?
Os principais países de origem dos medicamentos e produtos farmacêuticos, assim como sua participação percentual nas importações brasileiras, aparecem listados a seguir:
Alemanha: 16%
Estados Unidos: 13%
Suíça: 11%
Irlanda: 10%
China: 7,6%
Cada um desses mercados se destaca pela produção de insumos a preços competitivos, tecnologia de ponta e pesquisa e desenvolvimento.
A logística na importação de medicamentos
Abaixo, trazemos o modal de transporte utilizado para distribuição dos já mencionados US$5,4 bilhões em produtos farmacêuticos importados no ano – em números aproximados:
Aéreo: 77,10% (US$ 4,13 bilhões)
Marítimo: 22,40% (US$ 1,20 bilhão)
Rodoviário: 0,5% (US$ 26,8 milhões)
Um dos principais pontos de atenção concernentes à importação de medicamentos é sua logística, pois se trata de produtos que devem ser mantidos em temperaturas específicas, de acordo com suas características físicas e químicas.
Por essa razão, o modal aéreo é o mais utilizado pelo setor farmacêutico, devido à sua agilidade e aos cuidados que os medicamentos exigem.
Muitas aeronaves possuem mecanismos de controle de temperatura no compartimento de cargas, ajustando o ambiente conforme a necessidade do medicamento. Além disso, os aeroportos são equipados com armazéns refrigerados que mantêm a carga segura até o momento do voo ou enquanto aguarda ser coletada no destino pelo importador.
Também é possível utilizar contêineres aéreos com sistema de refrigeração próprio, caso a aeronave não disponha de controle de temperatura.
Por outro lado, no modal marítimo, há a opção de utilizar contêineres reefer, que conseguem manter temperaturas adequadas, bem como podem utilizar-se veículos com câmara fria no modal rodoviário.
Regulamentação na importação
Os medicamentos importados são fiscalizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e devem obedecer à norma RDC 81/2008, que trata sobre a importação de produtos sujeitos à vigilância sanitária.
Para importar medicamentos, o importador deve:
Atender aos requisitos e normas específicas do produto a ser importado, observando também o tratamento administrativo de acordo com a NCM;
Possuir Autorização de Funcionamento (AFE), concedida pela Anvisa;
Solicitar LPCO para obter anuência junto ao órgão, submetendo o processo à fiscalização pela autoridade sanitária.
A importação de medicamentos possui desafios burocráticos, já que se trata de produtos que impactam diretamente a saúde humana. No entanto, com as parcerias corretas, esse processo pode ser conduzido de forma eficiente.
A AGL Cargo é referência na logística de medicamentos
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