Muitas empresas não sabem exatamente o que acontece com seus produtos durante o transporte e apenas presumem que a cadeia fria está sendo mantida.
Produtos sensíveis à temperatura percorrem longas rotas, passam por múltiplos operadores e enfrentam condições adversas antes de chegar ao destino.
Em cada uma dessas etapas, a temperatura é uma variável crítica e, quando não controlada, pode causar danos silenciosos e irreversíveis.
Neste artigo, a AGL Cargo aborda a cadeia fria sob duas perspectivas distintas: a dos produtos químicos e a dos produtos farmacêuticos.
A cadeia fria consiste em um sistema logístico integrado destinado a garantir a manutenção de condições térmicas específicas ao longo de todas as etapas de movimentação de um produto, desde a fabricação até a entrega ao destinatário final.
Sua aplicação é mandatória para produtos cuja estabilidade físico-química ou biológica é dependente do controle de temperatura.
A cadeia fria abrange as fases de armazenamento, manuseio, transporte e distribuição.
A falha em qualquer uma dessas etapas pode comprometer de forma irreversível as propriedades do produto, com consequências que variam desde a perda de eficácia até riscos à segurança do usuário final.
As faixas de temperatura controlada mais utilizadas são classificadas, de modo geral, em três categorias:
Refrigerado: entre +2 °C e +8 °C, aplicável à maior parte dos medicamentos biológicos, vacinas e determinados insumos químicos.
Congelado: entre -20 °C e -15 °C, utilizado para produtos que exigem preservação em estado sólido.
Ultrafreezing: abaixo de -60 °C, empregado em produtos de alta complexidade, como terapias celulares e determinados imunobiológicos.
Entre as principais variáveis que ameaçam a integridade térmica durante o transporte, destacam-se:
a exposição a temperaturas externas extremas
falhas em equipamentos de refrigeração
tempo excessivo de trânsito
inadequação das embalagens
ausência de monitoramento contínuo
A ruptura da cadeia fria nem sempre é visualmente detectável no produto, o que torna o controle ainda mais relevante.
A rastreabilidade de cada etapa do processo é indispensável à gestão eficaz da cadeia fria.
Registros de temperatura, certificados de qualificação de equipamentos e protocolos de desvio compõem o conjunto mínimo de evidências exigidas para demonstrar a conformidade operacional.
Destacamos abaixo dois segmentos que podem utilizar a cadeia fria no transporte.
O transporte de produtos químicos termossensíveis apresenta especificidades que o diferenciam de outros segmentos que também operam sob controle de temperatura.
Neste contexto, a cadeia fria não responde apenas a requisitos de qualidade do produto, mas também a exigências de segurança operacional, uma vez que variações térmicas podem desencadear reações indesejadas.
Leia também: Desmistificando a importação de produtos químicos.
Entre os produtos químicos que demandam controle térmico estão:
reagentes analíticos
catalisadores
solventes de alta pureza
adesivos
resinas termossensíveis
pigmentos
As faixas de temperatura exigidas variam conforme a natureza química de cada produto e devem ser estabelecidas com base em dados de estabilidade fornecidos pelo fabricante.
Do ponto de vista logístico, os principais requisitos para o transporte adequado desses produtos incluem:
Embalagem compatível: materiais que suportem as condições térmicas e não reajam quimicamente com o produto acondicionado.
Agentes de controle térmico: gelo seco, géis refrigerantes ou sistemas de refrigeração ativa.
Veículos e contêineres qualificados: com capacidade de manter a temperatura interna dentro dos limites especificados, independentemente das condições externas.
Monitoramento contínuo: uso de registradores de dados (data loggers) para garantir rastreabilidade térmica ao longo de todo o percurso.
O setor farmacêutico é o segmento com maior grau de regulamentação no que se refere ao controle de temperatura durante o transporte.
Medicamentos, vacinas e imunobiológicos figuram entre os produtos que exigem condições térmicas controladas, sob pena de comprometimento de sua eficácia, segurança e estabilidade.
Um medicamento exposto a temperatura inadequada pode perder sua atividade sem apresentar alterações visuais perceptíveis, o que impede a identificação do problema pelo usuário final e amplia o risco associado ao seu uso.
No Brasil, o marco regulatório central para o transporte de medicamentos é a RDC 430/2020, editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
A norma estabelece as boas práticas de distribuição, armazenagem e transporte de medicamentos e define obrigações específicas para todos os agentes envolvidos na cadeia de distribuição.
Leia também: A importância da certificação GDP no transporte pharma.
Entre os principais requisitos estabelecidos pela RDC 430/2020, destacam-se:
qualificação de veículos e equipamentos utilizados no transporte de medicamentos termossensíveis
monitoramento contínuo de temperatura
plano de gerenciamento de riscos
capacitação de pessoal envolvido nas operações de transporte e manuseio
documentação e rastreabilidade de cada etapa do processo distributivo
O cumprimento da RDC 430/2020 não é facultativo.
Sua inobservância sujeita os envolvidos a sanções administrativas, interdição de atividades e responsabilização legal, reforçando o caráter vinculante das boas práticas de transporte no setor farmacêutico.
O transporte é uma etapa determinante para a qualidade final de produtos termossensíveis.
Falhas na cadeia fria, independentemente do segmento, resultam em perdas econômicas, riscos operacionais e, no caso de medicamentos, consequências diretas à saúde das pessoas que utilizarão esses produtos.
A conformidade com boas práticas logísticas, o uso de tecnologias adequadas de monitoramento e o cumprimento das exigências regulatórias, em especial a RDC 430/2020, no setor farmacêutico, são requisitos mínimos para operar com responsabilidade neste mercado.
A AGL Cargo possui uma vertical dedicada à logística de produtos da cadeia fria e conta com as certificações e os processos necessários para garantir a integridade das cargas, da origem ao destino.
Entre em contato com os especialistas da AGL Cargo e descubra como a empresa pode garantir a integridade da cadeia fria em todas as etapas do transporte.
Muitas empresas não sabem exatamente o que acontece com seus produtos durante o transporte e apenas presumem que a cadeia fria está sendo mantida. Produtos sensíveis à temperatura percorrem longas rotas, passam por múltiplos operadores e enfrentam condições adversas antes de chegar ao destino. Em cada uma dessas etapas, a temperatura é uma variável crítica […]
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