Cargas refrigeradas: por que a temperatura faz toda a diferença na exportação de alimentos

A pergunta que nenhum importador e exportador quer responder: quanto custa uma carga refrigerada que chega ao destino fora das especificações de temperatura?

A resposta vai além do valor da mercadoria perdida, pois traz danos à relação comercial e ruptura de contratos.

O Brasil figura entre os principais exportadores mundiais de proteína animal, frutas, sucos e outros produtos perecíveis.

Neste artigo, a AGL Cargo apresenta os fundamentos técnicos e operacionais do transporte de cargas refrigeradas, quais os principais equipamentos utilizados e os desafios logísticos.

Como funciona a cadeia de frio?

Por definição, a cadeia de frio é o conjunto de processos que mantêm produtos perecíveis em condições controladas de temperatura desde a origem até o destino final.

Quando falamos sobre exportação de alimentos, a manutenção dessas condições determina a viabilidade da operação e o cumprimento de requisitos sanitários internacionais.

A manutenção do controle térmico inicia-se no pré-resfriamento do produto, onde se remove o calor de campo e prepara a carga para o transporte.

A temperatura central do produto deve atingir o nível especificado antes do embarque.

Durante o transporte, três modalidades térmicas são empregadas conforme a natureza do produto:

A escolha da modalidade depende das características do alimento e do tempo estimado de trânsito.

As carnes bovinas, suínas e de aves requerem temperatura entre -18°C e -20°C quando congeladas, ou entre 0°C e 2°C quando resfriadas. Peixes e frutos do mar congelados exigem -18°C ou menos, enquanto produtos frescos operam entre 0°C e 4°C. Laticínios como queijos mantêm-se entre 2°C e 8°C, e manteiga entre -2°C e 4°C.

Frutas também tem suas características. Bananas transitam entre 13°C e 14°C, enquanto maçãs requerem -1°C a 4°C. Uvas mantêm-se entre 0°C e 2°C, e mangas entre 10°C e 13°C.

A tolerância à variação térmica difere entre produtos. Carnes congeladas suportam oscilações de até 2°C sem comprometimento significativo, enquanto frutas têm margem inferior a 1°C. A variação térmica acelera processos de deterioração e reduz a vida útil comercial.

EXPORTAÇÕES DE FRUTAS BRASILEIRAS: ENTENDA ESTE MERCADO

Temperaturas abaixo do recomendado podem causar danos por frio, como escurecimento, alteração de sabor e perda de firmeza.

Outro ponto importante é a umidade relativa do ambiente refrigerado, que  também exige controle.

Níveis inadequados provocam desidratação ou condensação, ambas prejudiciais.

O tempo de exposição a condições inadequadas tem efeito cumulativo, e mesmo desvios breves causam impacto quando repetidos ao longo da cadeia.

A rastreabilidade térmica permite identificar em que etapa ocorreram as falhas e estabelecer responsabilidades contratuais.

Quais equipamentos são utilizados para transporte de cargas refrigeradas?

O contêiner reefer é o principal equipamento de carga refrigerada no comércio internacional.

Ele se apresenta em 20 ou 40 pés, com isolamento térmico e sistemas de circulação de ar.

COMO A TECNOLOGIA REEFER MANTÉM SUAS CARGAS PERECÍVEIS SEGURAS

Já no modal rodoviário, caminhões refrigerados fazem o trajeto entre armazéns, portos e aeroportos, com carrocerias isoladas e unidades de refrigeração autônomas.

A capacidade de manutenção térmica é inferior à dos contêineres, tornando o tempo de trânsito um fator crítico.

Os pontos críticos de controle da cadeia de frio incluem o carregamento, as transferências entre modais, as paradas em terminais e o descarregamento final.

Cada transferência é um risco de exposição a temperaturas inadequadas.

Uma solução muito utilizada em contêiner é o datalogger, pois ele registra continuamente a temperatura interna dos contêineres. Esse dispositivo gera relatórios que comprovam a manutenção das condições durante todo o transporte, atendendo requisitos de rastreabilidade solicitados por autoridades sanitárias e compradores internacionais.

Quais os desafios logísticos no mercado internacional de carga refrigerada?

Um dos principais desafios é a disponibilidade de equipamentos refrigerados, especialmente em rotas com demanda sazonal concentrada.

Contêineres reefer não são tão comuns e em períodos de alta demanda resultam em escassez e elevação de preços.

Também não são todos os aeroportos, portos e terminais que possuem  infraestrutura adequada para atender a cadeia de frios. Alguns terminais não tem tomadas elétricas suficientes para contêineres refrigerados e obrigam o uso de geradores diesel, aumentando custos e riscos de interrupção.

Além disso, qualquer atraso no desembaraço aduaneiro, seja por canal ou qualquer outra situação, prolonga a exposição da carga.

Se você é importador, atenção: a demurrage de contêiner reefer possui um valor diferente de contêiner dry, sendo mais elevado.

Vale ressaltar também que, quanto maior a rota, mais é aconselhado o uso de datalogger, para controlar umidade e temperatura. Se você tem muitas cargas refrigeradas, pode ser que sua seguradora internacional também solicite o uso desse equipamento.

Conclusão

Com cargas refrigeradas, a temperatura dos seus produtos é fator determinante para o sucesso de operações de exportação de alimentos.

Você aprendeu neste artigo que a manutenção das condições térmicas adequadas ao longo de toda a cadeia logística preserva a qualidade do produto e sustenta a competitividade comercial no mercado internacional.

A AGL Cargo possui vertical especializada em cargas refrigeradas, oferecendo monitoramento em tempo real, equipe técnica dedicada e soluções customizadas para diferentes tipos de produtos.

Com 20 anos de experiência em logística internacional e presença em mais de 190 países, a AGL Cargo tem o conhecimento necessário para o transporte de alimentos refrigerados, da origem ao destino.

Entre em contato com a AGL Cargo e conte com especialistas em soluções logísticas para cargas refrigeradas.

Mais notícias

AGL Cargo: especialista em logística de produtos químicos

Os produtos químicos estão mais presentes no cotidiano do que muitas pessoas imaginam. Presentes em setores como agricultura, indústria farmacêutica, construção civil, automotivo, têxtil e bens de consumo, esses produtos fazem parte de uma cadeia global que exige alto nível de controle, segurança e conhecimento técnico. Transportar produtos químicos com segurança está entre as operações […]

Principais normas para a importação de autopeças

A importação de auto parts está entre as operações mais exigentes do comércio exterior brasileiro. O setor automotivo opera sob uma lógica de abastecimento contínuo, com baixa tolerância a atrasos ou falhas no fornecimento. Peças e componentes importados precisam chegar dentro do prazo, em conformidade com as exigências regulatórias e dentro do custo planejado. Essas […]

A exportação de açúcar exige uma operação logística precisa

O Brasil exporta açúcar com eficiência suficiente para sustentar sua posição como um dos maiores exportadores mundiais? A resposta depende menos da capacidade produtiva e mais da precisão com que cada etapa da cadeia logística é conduzida. O açúcar brasileiro percorre uma extensa trajetória entre a usina e o importador, envolvendo transporte, armazenagem, documentação, exigências […]

Quais são os hubs logísticos mais estratégicos para commodities no Brasil?

A logística, seja nacional ou internacional, precisa evoluir continuamente para atender às diferentes demandas e exigências do mercado global. Uma das formas de otimizar operações, reduzir custos e aumentar a eficiência da cadeia de suprimentos é por meio da utilização de hubs logísticos estratégicos. Neste artigo, a AGL Cargo apresenta o conceito de hubs logísticos, […]