O cacau é o fruto do cacaueiro, uma planta originária da região Amazônica. Trata-se da principal matéria-prima do chocolate, que é produzido a partir da torra e moagem de suas amêndoas secas. É utilizado também na fabricação de licores, geleias e em produtos da indústria de cosméticos.
O Brasil ocupa a posição de sétimo maior produtor de cacau no mundo, com uma produção de 296 mil toneladas em 2023, segundo dados do IBGE.
Neste conteúdo, iremos explorar o cenário global e nacional de cacau, e trazer informações sobre as exportações brasileiras deste produto. Boa leitura!
Os principais países produtores de cacau são Costa do Marfim e Gana, responsáveis por mais da metade da produção global, seguidos por Camarões e Nigéria.
O Equador lidera a produção de cacau nas Américas, representando 9% da produção mundial na safra 2022/23, enquanto o Brasil responde por 4,4%.
A União Europeia é o maior importador de cacau, e possui uma forte capacidade de moagem e processamento industrial para transformar a matéria-prima em produtos com maior valor agregado, como chocolates, que posteriormente são exportados.
Em 2024, condições climáticas adversas e o surgimento de pragas resultaram em uma quebra de safra na Costa do Marfim e em Gana. Como estes são os principais produtores, a redução na oferta afetou o mercado internacional, levando a alta do preço do cacau.
Este cenário também afetou a cotação do cacau no mercado interno: na Bahia, o valor médio do produto passou de R$22,00/kg no início de 2024 para R$55,00/kg em junho do mesmo ano.
O Brasil se destaca no cenário mundial por contar com todas as etapas da cadeia produtiva do cacau: cultivo, moagem e a indústria chocolateira. Há uma forte demanda por cacau, já que o consumo de chocolate tem crescido nos últimos anos. O consumo per capita de chocolate no Brasil passou de 3,6 kg em 2022 para 3,9 kg em 2023.
Nos anos 1980, o Brasil era um dos maiores produtores de cacau do mundo, respondendo por cerca de 20% da produção global. Porém, a doença vassoura-de-bruxa devastou as plantações na Bahia, levando a um declínio na produção que ainda não se recuperou totalmente.
Embora o cacau seja originário da região Amazônica, ele foi introduzido na Bahia em meados do século XVIII.
Atualmente, a produção brasileira de cacau é feita em grande parte por pequenos agricultores. A Bahia concentra 69,5% da área cultivada, seguida pelo Pará, com 25,9%. Apesar disso, o Pará lidera a produção, respondendo por mais de 50% do total, por conta de sua alta produtividade. No estado, o rendimento médio do cultivo do cacau é de cerca de 900 quilos por hectare, enquanto na Bahia fica em torno de 270 quilos por hectare.
Conforme dados do Comex Stat, de janeiro a novembro de 2024, as exportações brasileiras de cacau em pó, manteiga ou pasta de cacau chegaram a US$422,57 milhões, que correspondem a 46,3 mil toneladas.
Na comparação com o mesmo período de 2023, as vendas em valores aumentaram 131,2%, enquanto o volume embarcado cresceu 7,8%, o que indica uma valorização do produto. O valor FOB do produto exportado em 2023 foi de US$4,3 por quilo, já em 2024 foi de US$9,13 por quilo.
A Bahia é o principal estado exportador, responsável por quase 95% dos embarques ao exterior.
Desde 2019, o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Cacau (ICCO) como um país exportador de cacau 100% fino e de aroma, trazendo assim um maior prestígio no mercado internacional.
Os principais países compradores (referente ao período janeiro-novembro de 2024) são:
Argentina: 45%
Países Baixo: 17%
Estados Unidos: 17%
Chile: 9,4%
Peru: 2,2%
O modal rodoviário possui uma participação expressiva no transporte de cacau e derivados, pois o principal comprador é a Argentina e Chile, países facilmente acessados pelas rodovias. A participação dos modais de transporte na exportação de cacau é a seguinte:
Marítimo: 50,40%
Rodoviário: 49,40%
Aéreo: 0,20%
Apesar do cultivo de cacau ter enfrentado desafios no passado, hoje o Brasil se destaca no mercado internacional, sendo reconhecido como exportador de cacau de qualidade.
Conforme vimos, as exportações brasileiras de cacau em 2024 apresentaram crescimento. O produto vem sendo fortemente valorizado, por conta de um desequilíbrio na oferta e demanda global.
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